
Tuesday, November 03, 2009
Invocação ao amor

Pedir-te a sensação
a água
o travo
aquele odor antigo
de uma parede
branca
Pedir-te da vertigem
a certeza
que tens nos olhos quando
me desejas
Pedir-te
sobre a mão
a boca inchada
um rasto de saliva
na garganta
pedir-te que me dispas
e me deites
de borco e os meus seios
na tua cara
Pedir-te que me olhes e me aceites
me percorras
me invadas
me pressintas
Pedir-te que me peças
que te queira
no separar das horas
sobre a língua
Meu ciúme
meu perfil
minha fome
meu sossego
minha paz
minha aventura
Meu sabor
minha avidez
saciedade
minha noite
minha angústia
meu costume
*Maria Teresa Horta
Saturday, October 17, 2009

Memories, pressed between the pages of my mind
Memories, sweetened thru the ages just like wine
Quiet thought come floating down
And settle softly to the ground
Like golden autumn leaves around my feet
I touched them and they burst apart with sweet memories,
Sweet memories
Memories, sweetened thru the ages just like wine
Quiet thought come floating down
And settle softly to the ground
Like golden autumn leaves around my feet
I touched them and they burst apart with sweet memories,
Sweet memories
Of holding hands and red bouquets
And twilight trimmed in purple haze
And laughing eyes and simple ways
And quiet nights and gentle days with you
Memories, pressed between the pages of my mind
Memories, sweetened thru the ages just like wine,
Memories, memories, sweet memories
* Samarony, você estará sempre nas nossas memórias e em nossos corações.
And laughing eyes and simple ways
And quiet nights and gentle days with you
Memories, pressed between the pages of my mind
Memories, sweetened thru the ages just like wine,
Memories, memories, sweet memories
* Samarony, você estará sempre nas nossas memórias e em nossos corações.
Thursday, October 08, 2009

"Eu vou te contar porque você não me conhece. E eu tenho que gritar isso, porque você está surdo e não me ouve. A sedução me escraviza a você, ao fim de tudo você permanece comigo, mas preso ao que eu criei e não à mim. E quanto mais falo sobre uma verdade inteira, um abismo maior nos separa. Você não tem um nome, eu tenho, você é um rosto na multidão e eu sou o centro das atenções. Mas a mentira da aparência do que eu sou é a mentira da aparência do que você é. Porque eu, eu não sou o meu nome e você não é ninguém. O jogo é perigoso que eu pratico aqui. Ele busca chegar ao limite possível de aproximação. Através da aceitação da distância e do reconhecimento dela. Entre mim e você existe a notícia, eu me dispo da notícia e a minha nudez parada te denuncia e espelha. Eu me relato, tu me delatas, eu vos acuso e confesso por nós.
Só assim me livro das palavras com as quais você me veste."
Sunday, September 27, 2009
SUBIDA

Quando o dia acorda atravessado, escalo uma montanha.
*Flora Figueiredo
É meu próprio caminho em direção ao sol.
Mochila nas costas, carrego o principal não levo nem perguntas, nem respostas.
Ponho um ramo de sonhos que vou plantando pelo caminho, a flauta encantada pra seduzir passarinho, a estrela companheira que brilha o tempo inteiro e mantém a trilha iluminada;
um frasco de água benta, uma reza certeira; um arco-íris à prova de vento, um peito aberto à prova de nada.
Devagarinho, sem pressionar o tempo, chego ao meu destino.
Respiro fundo, abro os braços, canto um hino de sagração ao mundo - e agradeço - por ter descoberto de repente por onde se começa um recomeço.
Wednesday, September 23, 2009
Naufraguei entre dois fôlegos
de um tempo
em que respirar-te era um bálsamo.

São instantes, as felicidades virgens.
São saudades, são queixumes,
são escolhas lançadas de um barco
que não alcançam o vento nem o sal da minha fé.
de um tempo
em que respirar-te era um bálsamo.

São instantes, as felicidades virgens.
São saudades, são queixumes,
são escolhas lançadas de um barco
que não alcançam o vento nem o sal da minha fé.
*cferreirapedro (Os ácaros do meu armário)
Tuesday, September 22, 2009
Voltas em volta dos contratos de Amor

Nos contratos que tu lavras
não vi, Amor, valimento.
Só palavras e palavras
feitas de sonho e de vento.
Primeira volta: lavrar.
Lavra o amor algum contrato?
Lavra, sim, mas como ato
de grassar, de incendiar.
Lavrar? Melhor - celebrar.
Se há bona fide e paixão
no ato da celebração,
há muito mais que palavras
nos contratos que tu lavras,
há um sol na solidão.
Volta dois: da validade.
O amor, o amar vale a pena
se a pessoa não é pequena.
Seu prazo é a sua verdade:
um dia? a eternidade?
Seja intenso, seja infindo
enquanto dure, indo e vindo.
Diz o mote em desalento:
- não vi, Amor, valimento,
mas eu vi e vale e é lindo.
Terceira volta: o objeto
desses contratos de Amor
há de ser somente o amor
seja ele aberto ou secreto.
Mas que seja o Amor, completo
em sua frágil plenitude.
Ah, Amor, que só amor mude
os contratos que apalavras.
Só palavras e palavras
amor não é, amiúde.
Que esta quarta volta abrace
a palavra. Que a não leve
o vento. Que a verdade a eleve
em seu altar e que a enlace.
O amor fica ainda que passe,
ainda que passe o vento.
Feitas de sonho e de vento?
Palavras do Amor, risonho:
que se são feitas de sonho,
não, não são feitas de vento.
*Pedro Galvão

Nos contratos que tu lavras
não vi, Amor, valimento.
Só palavras e palavras
feitas de sonho e de vento.
Primeira volta: lavrar.
Lavra o amor algum contrato?
Lavra, sim, mas como ato
de grassar, de incendiar.
Lavrar? Melhor - celebrar.
Se há bona fide e paixão
no ato da celebração,
há muito mais que palavras
nos contratos que tu lavras,
há um sol na solidão.
Volta dois: da validade.
O amor, o amar vale a pena
se a pessoa não é pequena.
Seu prazo é a sua verdade:
um dia? a eternidade?
Seja intenso, seja infindo
enquanto dure, indo e vindo.
Diz o mote em desalento:
- não vi, Amor, valimento,
mas eu vi e vale e é lindo.
Terceira volta: o objeto
desses contratos de Amor
há de ser somente o amor
seja ele aberto ou secreto.
Mas que seja o Amor, completo
em sua frágil plenitude.
Ah, Amor, que só amor mude
os contratos que apalavras.
Só palavras e palavras
amor não é, amiúde.
Que esta quarta volta abrace
a palavra. Que a não leve
o vento. Que a verdade a eleve
em seu altar e que a enlace.
O amor fica ainda que passe,
ainda que passe o vento.
Feitas de sonho e de vento?
Palavras do Amor, risonho:
que se são feitas de sonho,
não, não são feitas de vento.
*Pedro Galvão
Tuesday, September 15, 2009
"Entonces seré tuya...
... llenando mi cuerpo con tus
deseos...
Abandónate conmigo...
...y no busques nada más..."
Thursday, August 27, 2009

“Todo amor tem seu instante inaugural, seu big bang particular, que é, por definição, um começo perdido, do qual os amantes, por mais perspicazes que sejam, nunca são contemporâneos. Não há amante que não seja, na verdade, o herdeiro tardio de um instante de amor que nunca verá, capturado que ficou, e para sempre, no breu da sua aparição. Só que agora, com o discernimento frenético dos que já se sabem condenados, (…) podia voltar atrás e procurar esse sinal original, tentar identificá-lo ou dar-se ao luxo, mesmo, de escolhê-lo. Podia, por exemplo, demorar-se um instante numa imagem (…), mas depois a descartava, decepcionado, para deixar-se enfeitiçar por outra (…), até que descartava o álbum inteiro e caía de joelhos diante de um som, um único som (…)”
*Alan Pauls
*Alan Pauls
Saturday, August 22, 2009
Sunday, August 16, 2009

Pensa em mim, em tudo aquilo que ainda sou eu
use a coragem não só pra dizer adeus.
Pensa em mim, em tudo aquilo que ainda sou eu
mentiras, sonhos e perdões que a vida me deu.
Com você me sentia sozinha, com você não sabia esperar.
Em todos procurava o futuro que nenhum poderia me dar.
use a coragem não só pra dizer adeus.
Pensa em mim, em tudo aquilo que ainda sou eu
mentiras, sonhos e perdões que a vida me deu.
Com você me sentia sozinha, com você não sabia esperar.
Em todos procurava o futuro que nenhum poderia me dar.
Mas todo amor que dentro de mim pode haver,
rouba a sede,
ilumina
me usa
só pra você.
*Ana Carolina
rouba a sede,
ilumina
me usa
só pra você.
*Ana Carolina
Saturday, August 08, 2009

Al perderte yo a ti,
tú y yo hemos perdido:
yo, porque tú eras
lo que yo más amaba,
y tú, porque yo era
el que te amaba más.
Pero de nosotros dos,
tú pierdes más que yo:
porque yo podré
amar a otras
como te amaba a ti,
pero a ti nadie te amará
como te amaba yo.
*Ernesto Cardenal , Epigrama mandado por minha Sis...que me ama...e que eu amo tanto... Tks, Sweet Ana!
Saturday, August 01, 2009

Un amor le a devuelto la alegría a mi ser,
por eso yo a ti te quiero, por eso yo te querré.
Te prometo vida mia que nunca te dejare,
haces que siga viviendo y siempre yo te amaré.
Por eso te canto, te digo a la cara que me tienes loco,
que estoy enamorada, que te quiero mucho
y es inexplicable decir con palabras y un amor tan grande.
Si algun dia tu me dejas, y te alejas mas de mi,
dejare toda mi alma solo llena de sufrir.
Eres aire que respiro, eres sueño mi dormir,
tu lo eres todo, lo eres todo para mi.
Son mis sentimientos los que canto aqui, me has enamorado,
yo te quiero a ti. Que dios me maldiga si te hago daño,
si te hago sufrir, si yo a ti te engaño.
Pero te prometo que nunca mi amor habrá una persona
que te ame mas que yo.
Te prometo vida mia que nunca te dejare,
haces que siga viviendo y siempre yo te amaré.
Por eso te canto, te digo a la cara que me tienes loco,
que estoy enamorada, que te quiero mucho
y es inexplicable decir con palabras y un amor tan grande.
Si algun dia tu me dejas, y te alejas mas de mi,
dejare toda mi alma solo llena de sufrir.
Eres aire que respiro, eres sueño mi dormir,
tu lo eres todo, lo eres todo para mi.
Son mis sentimientos los que canto aqui, me has enamorado,
yo te quiero a ti. Que dios me maldiga si te hago daño,
si te hago sufrir, si yo a ti te engaño.
Pero te prometo que nunca mi amor habrá una persona
que te ame mas que yo.
Monday, July 20, 2009
Monday, July 13, 2009
Temptation & Seduction

temptation and seduction
like a movie without a script
we improvised
because we were so young
and the nights lasted that much longer
and we were grateful for every second of darkness outside
outside in perfectly manicured gardens
the cool grass covered in a midnight dew
soaking through jeans and t-shirts
we kicked our shoes off and dashed into lakes
and laughed and breathed and sang and knew
beyond a shadow of a doubt that no one in the world had ever felt the way
we did
no one on this planet knew the secret of love, the feel of wet grass under
bare feet on late summer nights
we watched the moon and she watched us and she promised to keep our secret
bright and full
in beds of flowers bursting with color
our young bodies bare
not yet knowing what it means to be inhibited
skin like petals
soft and fragrant
the trees shuffling their branches in a private dance only we could hear
the music
lips and whispers entangled
so new and yet ancient
tasting like life itself, fresh and true and hungry
we rolled and turned with the earth spinning beneath us
air so sweet,
sweet with jealousy
as we drank our youth
those nights, now so far and always so near
not a single summer passes without a reminiscence
the trees still dance and the moon still glows
and a year of our youth is peeled off
while our hearts grow cooler
darkness no longer holds the same magic
we grow and grow a greater distance between us
though you will always remain with me,
a precious charm recalled on late summer nights
while the scent of flowers in first bloom
still brings your name to my lips
Sunday, July 12, 2009
Texto para uma separação

Olhe aqui, olhos de azeviche
Vamos acertar as contas
porque é no dia de hoje
que cê vai embora daqui...
Mas antes, por obséquio:
Quer me devolver o equilíbrio?
Quer me dizer por que cê sumiu?
Quer me devolver o sono meu doril?
Quer se tocar e botar meu marcapasso pra consertar?
Quer me deixar na minha?
Quer tirar a mão de dentro da minha calcinha?
Quer parar de torcer pro meu fim
dentro do meu próprio estádio?
quer parar de saxdoer no meu próprio rádio?
Vem cá, não vai sair assim...
Antes, quer ter a delicadeza de colar meu espelho?
Assim: agora fica de joelhos
e comece a cuspir todos os meus beijos.
Isso. Agora recolhe!
Engole a farta coreografia destas línguas
Varre com a língua esses anseios
Não haverá mais filho
pulsações e instintos animais.
Hoje eu me suicido ingerindo
sete caixas de anticoncepcionais.
Trata-se de um despejo
Dedetize essa chateação que a gente chamou de desejo.
Pronto: última revista
Leve esta bobagem
que você chamou
de amor à primeira vista.
Olhos de azeviche, vem cá:
Apague esse gosto de pescoço da minha boca!
E leve esses presentes que você me deu:
essa cara de pau, essa textura de verniz.
Tire também esse sentimento de penetração
esse modo com que você me quis
esses ensaios de idas e voltas
essa esfregação
esse bob wilson erotizado
que a gente chamou de tesão
Pronto. Olhos de azeviche, pode partir!
Estou calma. Quero ficar sozinha
eu co’a minha alma. Agora pode ir
Gente! Cadê minha alma que estava aqui?
*Elisa Lucinda
Friday, July 10, 2009

Não adiantou de nada
Pegar a estrada e vir
Pra este lugar
Você apareceu
Na noite passada
Num pouso de emergência
Sem me avisar
Cruzou o meu espaço
Invadiu meu sonho
Levou todos os planos
Pra me conquistar
O que você quer de mim
Me iludir, me acordar
E me deixar ruim
O que você quer de mim
Me iludir, me acordar
E me deixar assim
Como posso ter te perdido
Se você nunca me pertenceu
Como posso ter te esquecido
Se a gente nunca se conheceu
E mesmo assim, pensei em te ligar
Mandar notícias minhas
Mas afinal
O que você quer de mim
Me iludir, me acordar
E me deixar ruim
O que você quer de mim
Me iludir, me acordar
E me deixar assim
Pegar a estrada e vir
Pra este lugar
Você apareceu
Na noite passada
Num pouso de emergência
Sem me avisar
Cruzou o meu espaço
Invadiu meu sonho
Levou todos os planos
Pra me conquistar
O que você quer de mim
Me iludir, me acordar
E me deixar ruim
O que você quer de mim
Me iludir, me acordar
E me deixar assim
Como posso ter te perdido
Se você nunca me pertenceu
Como posso ter te esquecido
Se a gente nunca se conheceu
E mesmo assim, pensei em te ligar
Mandar notícias minhas
Mas afinal
O que você quer de mim
Me iludir, me acordar
E me deixar ruim
O que você quer de mim
Me iludir, me acordar
E me deixar assim
*Cileno
Sunday, July 05, 2009

Foi para ti
que desfolhei a chuva
para ti soltei o perfume da terra
toquei no nada
e para ti foi tudo
Para ti criei todas as palavras
e todas me faltaram
no minuto em que talhei
o sabor do sempre
Para ti dei voz
às minhas mãos
abri os gomos do tempo
assaltei o mundo
e pensei que tudo estava em nós
nesse doce engano
de tudo sermos donos
sem nada termos
simplesmente porque era de noite
e não dormíamos
eu descia em teu peito
para me procurar
e antes que a escuridão
nos cingisse a cintura
ficávamos nos olhos
vivendo de um só
amando de uma só vida.
*Mia Couto
que desfolhei a chuva
para ti soltei o perfume da terra
toquei no nada
e para ti foi tudo
Para ti criei todas as palavras
e todas me faltaram
no minuto em que talhei
o sabor do sempre
Para ti dei voz
às minhas mãos
abri os gomos do tempo
assaltei o mundo
e pensei que tudo estava em nós
nesse doce engano
de tudo sermos donos
sem nada termos
simplesmente porque era de noite
e não dormíamos
eu descia em teu peito
para me procurar
e antes que a escuridão
nos cingisse a cintura
ficávamos nos olhos
vivendo de um só
amando de uma só vida.
*Mia Couto
Thursday, July 02, 2009

A boca calada. A respiração cavando silêncios. As mãos a pesarem tanto que exilei os gestos rentes ao coração. Poiso a cabeça sobre a mão direita e penso: para o encontrar de novo recomeçaria tudo outra vez, andaria todos os caminhos, arriscaria a minha vida. Hora após hora, ele regressa ao meu pensamento, e vem do lugar de todas as ausências, e tem nos braços a mesma curva onde os pássaros iniciam o primeiro vôo. Pedir-lhe-ia, agora, que só uma vez me dissesse: bebe a minha sede.
*Graça Pires
Wednesday, July 01, 2009

Esta manhã encontrei o teu nome nos meus sonhos e o teu perfume a transpirar na minha pele. E o corpo doeu-me onde antes os teus dedos foram aves de verão e a tua boca deixou um rasto de canções. No abrigo da noite, soubeste ser o vento na minha camisola; e eu despi-a para ti, a dar-te um coração que era o resto da vida - como um peixe respira na rede mais exausta. Nem mesmo à despedida foram os gestos contundentes: tudo o que vem de ti é um poema. Contudo, ao acordar, a solidão sulcara um vale nos cobertores e o meu corpo era de novo um trilho abandonado na paisagem. Sentei-me na cama e repeti devagar o teu nome, o nome dos meus sonhos, mas as sílabas caíam no fim das palavras, a dor esgota as forças, são frios os batentes nas portas da manhã.
*Maria do Rosário Pedreira
Monday, June 22, 2009

"... Então, que seja doce.
Repito todas as manhãs,
ao abrir as janelas para deixar entrar
o sol ou o cinza dos dias, bem assim:
que seja doce. Quando há sol,
e esse sol bate na minha cara amassada
do sono ou da insônia, contemplando as
partículas de poeira soltas no ar,
feito um pequeno universo,
repito sete vezes para dar sorte:
que seja doce, que seja doce , que seja doce
e assim por diante."
*Caio Fernando Abreu
Monday, June 15, 2009
Sunday, May 31, 2009

Faz-me falta amar para lá da lucidez.
Sorrir e corar com palavras doces, pintadas à mão.
Sentir a tua ausência como o sacrifício que valia a pena.
Acontecer-me o amor como à fruta que amadurece no cesto.
Ultrapassar barreiras do toque, dos beijos e da solidão.
Viajar nos teus sonhos e debruçar-me à janela dos meus.
Ouvir a tua voz e entorpecer-me de paixão.
Ter na pele um carinho descontroladamente constante.
Faz-me falta estar à tua espera.
*Carla Ferreira Pedro
Sunday, May 24, 2009

Eu quero o delírio.
Eu sou assim.
Não pretendo a integração, mas a abertura e a busca.
Encontrar pode ser impossível ou desinteressante.
Quero o pressentimento.
Quero comprimir a tecla do computador e explodir o ponto e arquear o contorno, varando os limites que a vida há de preencher e o sonho tornará possível.
Quero o delírio que faça as utopias virem sentar-se na minha varanda e escrever no meu computador quando a razão estiver cansada, quando a técnica parecer frívola, ou quando eu estiver descrente."
*Lya Luft
Thursday, May 21, 2009

Ele diz:
"Hoje de madrugada, por volta das duas e meia, senti uma vontade louca de você. Fui até ao quarto, abri a gaveta. Lá estava a minha blusa vermelha. Levei-a ao meu rosto e fiquei entorpecido por um envolvente cheiro. Um cheiro inodoro, que somente os animais mais primitivos conseguem sentir. Um cheiro delicioso e lancinante de fêmea no cio".
*Guardo isso comigo. Guardo teu cheiro e teu beijo. Guardo teu sorriso lindo e tuas mãos no meu corpo. Volte logo. Te espero com impaciência e desejo intenso.
Tuesday, May 19, 2009
A tua língua-serpente,
açoita os meus sentidos
e alaga os meus pudores.
Tua grandeza cravada em mim,
faz desabrochar a absurda flor
da minha pele.
Dilatados e indecentes,
os meus poros,
tão impregnados da tua saliva
e do teu tato.

Bebes o prazer e te traduzes
na taça do meu ventre.
Cravas a tua indecente
garra na pequenêz
dos meus segredos em brasa.
Vertentes de vento,
furacões,
cataclismas,
tempestade...
De tão tua,
de tão arrebatada e desmedida,
de tão fluida,
transbordo,
e me reinventas.
*Míriam Monteiro
açoita os meus sentidos
e alaga os meus pudores.
Tua grandeza cravada em mim,
faz desabrochar a absurda flor
da minha pele.
Dilatados e indecentes,
os meus poros,
tão impregnados da tua saliva
e do teu tato.

Bebes o prazer e te traduzes
na taça do meu ventre.
Cravas a tua indecente
garra na pequenêz
dos meus segredos em brasa.
Vertentes de vento,
furacões,
cataclismas,
tempestade...
De tão tua,
de tão arrebatada e desmedida,
de tão fluida,
transbordo,
e me reinventas.
*Míriam Monteiro
Monday, May 18, 2009
Thursday, May 14, 2009

Eu andei
Sorri
Chorei tanto
Não me arrependi
Ganhei e perdi
Fiz como pude
Lutei contra o amor
Quanto mais vencia, me achava um perdedor
Mais tarde me enganei e vi com outros olhos
Quando às vezes não amei a mim
Não por falta de amor
Mas amor demais
Me levando pra alguém
Quem visitou os corredores da minha alma
Soube dos enganos, secretos planos e até os traumas
Eu sempre fui muito só
Eu andei
Sorri
Chorei tanto
Fui quase feliz
Fiz tudo que quis
Fiz como pude
Desprezei meu ego
Dando esmolas a ele
Como se fosse um cego
Mais tarde me enfeitei, até pintei os olhos
Quando às vezes não amei a mim
Não por falta de amor
Mas amor demais
Me escapando pra alguém
Quem visitou os corredores da minha alma
Soube dos meus erros
E dos nós que fiz bem na linha da vida
Eu sempre fui muito só
*Ana Carolina
Sunday, May 10, 2009

Sair descalça pela rua e sentir o calor da terra. Caminhar sem observar os rostos e partir com bilhete só de ida. Adentrar o trem e colocar os braços para fora para abraçar o vento. Viajar sem rumo e parar na estação onde o abraço lhe apertou o passo. Descer em lugar algum e parar em frente à árvore mais acolhedora, mas que lhe parece solitária. Despojar de horas a admirá-la e envolver seu corpo sobre o tronco até sentir que transmuta a energia. Seguir adiante com as pedras que já não lhe incomodam mais os pés. Despir a roupa que lhe aquece, mas empobrece a alma e perceber que não precisa dela. Abandoná-la na estrada árida e notar que as flores brotam das pedras. Sorrir ao ver o sorriso das crianças e dançar pela rua para imortalizar o gesto. Entrar na próxima estação e comprar bilhete para uma nova jornada. Seguir sem rumo e não se importar com o longo caminho, pois as rosas perfumam o destino. Sussurrar na brisa seus instintos e deixar que ela guie seu espírito em desalinho. Confessar que a terra não lhe assusta mais e que o mundo é pequeno para si, mas acreditar que o globo já é um bom início...
*Juliana Pestana
Thursday, May 07, 2009
Wednesday, May 06, 2009

Quando eu vou parar e olhar pra mim?
Ficar de fora
E olhar por dentro
Se eu não consigo
Organizar minhas idéias
Se eu não posso
Se eu esqueço de mim?
Eu pensei que fosse forte
Mas eu não sou
Quando eu vou parar pra ser feliz?
Que hora?
Se não dá tempo
Se eu não me encontro
Nos lugares onde eu ando
Nem me conheço
Viro o avesso de mim
Se eu não sei o que é sonhar
Faz tanto tempo
Tanto mar
E o meu lugar
É aqui!
Uma rua atravessada em meu caminho
Nos meus olhos
Mil faróis
Preciso aprender a andar sozinho
Pra ouvir minha própria voz
Quem sabe assim
Eu paro pra pensar em mim
Quem sabe assim
Eu paro pra pensar em mim...
*Ana Carolina, Dudu Falcão e Lula Queiroga








